EPHEMERIS, -IDIS, #1

























Never skip the intro, stay there!

Foi exactamente há um ano atrás. O espectáculo “Residência (Artística)” estreava no Teatro-Cine de Torres Vedras: pecaminosamente autofágico (como todos os que fiz até então: nada de novo!), apresentava em modo quasi-antológico todos os defeitos-apanágio do meu discurso, os mesmos que eu sei que nunca funcionaram, jamais irão funcionar, e que sempre irritam cerca de 90% da plateia. Insisto neles como quem investe num amor incondicional por um objecto inanimado — é irracional e é inútil, se calhar por isso mesmo é Amor; e os 10% de “iluminados” compensam todas as catástrofes… Era também um espectáculo sobre o “efémero” (such a cliché!…), essa qualidade (condição?) inalienável das artes que se querem vivas, e a razão (única) pela qual continuo a acreditar ser possível (logo, necessário) continuar a fazer/pensar Arte. “Residência (Artística)” estreou no dia 27 de Março porque calhou; e em Torres Vedras porque sim. Comemorava-se o espectáculo que estreava, não essa entidade patronal (qual invisível Big Brother) que dá pelo nome de “Teatro”. Ou seja, dava-se o primeiro arranque público de um projecto que pretendia ser apresentado em mais sítios; por empatias diversas, Torres Vedras foi o primeiro a chegar-se à frente.

Esta minha vontade de, um ano depois, voltar a (re)mexer em palavras e imagens que muitos querem esquecidas (ou então camufladas em placebos cosméticos de baixa categoria), não tem nada a ver com uma ideia irónico-retórica de celebração “póstuma” de um espectáculo que deu a maior bronca da história das broncas “rogerianas”; tem antes a ver com o facto de, à distância de um ano, e através de um epifenómeno que continuo a achar pertinente discutir, permitir-me hoje — 27 de Março de 2013 —, a pronunciar publicamente o meu mais infectado repúdio pela instauração de um Dia Mundial que celebra o “Teatro” (essa falsa efeméride que de efémera vai tendo cada vez menos), e com isso poder, real e concretamente, enterrar um morto com 12 meses de vida. Só eu, mais ninguém, o poderá fazer… E tem que ser agora.

A minha motivação também não é a da diabolização de uma cidade que até gosto e da qual tenho as melhores memórias pessoais e profissionais; o que aconteceu, há um ano, em Torres Vedras, podia ter acontecido em Lisboa, no Porto, em Freixo de Espada à Cinta ou em qualquer outra parte do País mais ou menos (des)centralizada; e depois não tenho qualquer interesse em reactivar o mau cheiro re-mexendo na merda (em Torres Vedras há muitos moinhos de vento, if you know what I mean…). A minha vontade é, sim, a de regressar às questões importantes que a apresentação deste espectáculo levantou, que para mim são as estritamente ARTÍSTICAS (e todas as outras que o “artístico” tem por hábito parasitar), para tal utilizando o micro-cosmos que foi este espectáculo e daí inferir macro-sintomas de uma doença maior que afecta outros artistas (mais ou menos demissionários) como eu. Por exemplo: o que aconteceu, há um ano, em Torres Vedras, obrigou-me a reenquadrar não aquilo que entendo por efemeridade, ou a forma como a torno operacional nos projectos que faço, mas antes o tipo de impacto que as artes performativas (logo, efémeras) tem na vida das pessoas e a forma como as mesmas lidam com essa efemeridade. Os textos que pretendo re-publicar, a partir de hoje, explicarão melhor esse reenquadramento.

Apesar de tudo, porém, a estreia deste espectáculo e os acontecimentos que se sucederam nos meses seguintes (alguns sintomas, ainda que adormecidos, continuam em curso hoje…) não correspondeu a um wake up call, não marcou nenhuma transição estético-programática no meu trabalho, não me fez ver nada que eu já não soubesse/conhecesse. Clarificou, sim, a lista de razões que me fazem odiar o Teatro (o tal da falsa-efeméride, bem entendido…) que se faz (ou seja: vê, compra, produz, programa, fala…) em Portugal, com o que isso tem de jogos de interesses mais ou menos encapuçados, colaborações manhosas, (re)aproveitamentos políticos, enredos venezuelanos, confusões históricas entre Arte e Desporto, ou então entre Arte e Turismo, Arte e Cultura, Arte e Museologia, Arte e História (da Arte), Arte e Crítica, Arte e Artesanato, Arte e Espiritualidade, Arte e Educação, Arte e Terapia, Arte e Propaganda (Política), Arte e Merchandising (ou seja, Arte e Fashion Design), Arte e Ergonomia, Arte e Religião (e Moral), entre outras reminiscências empoeiradas da moral judaico-cristã, mas também, e sobretudo, todos os fenómenos antropossociais que circundam os protagonistas das Artes, transformando-os em gestores de marca num mercado de valores absolutamente pobre e decadente. Num plano estritamente pessoal (que posso e devo partilhar), este reenquadramento fez-me também concluir (por A + B!), que muitas vezes “bom senso” é sinónimo exacto e inequívoco de lambe-cusismo.

Em suma, Torres Vedras mostrou-me, há um ano atrás, e em modo concentrado e pronto-a-levar (na cara, e com força!) as razões que explicam o hiato ético que muitas vezes afasta artistas de público, artistas de instituições, público de instituições e instituições de tudo o resto. Essa ideia, a última das ideias românticas!, entretanto comprada pelas indústrias criativas, que diz que “todos somos artistas” (logo, que todos somos críticos, produtores, realizadores, curadores, programadores, técnicos de luz e de som, jornalistas culturais, secretários-de-estado da cultura, comentadores políticos, etc.) foi-me apresentada em Torres Vedras na sua forma disforme, na sua versão monstro: uma espécie de caricatura hiperbólica de todos os chavões da contemporaneidade artística que eu já nem discutia, e que me vi obrigado a repensar — a liberdade de expressão (artística e não só), a relação da Arte com o Poder, a ética do observador/espectador, o carácter enunciativo da Arte after Kant after Duchamp, todos os mal-estares da pós-modernidade, o papel do Cinismo enquanto discurso e enquanto ética artística, etc., etc., etc… Este meu revisionismo, hoje, é uma reacção à falta de compreensão, à ignorância, à intransigência, ao preconceito e ao enviesamento ético-moral. Mas é também uma prospecção para o futuro (o meu e o de todas as pessoas que comigo colaboraram).

Passei uma década da minha vida (e do meu trabalho) a dar razão ao Joseph Beuys; hoje, passado um ano desde o advento desse não-evento que foi a “Residência (Artística)”, desejo ardentemente que o Joseph Beuys esteja a arder no inferno. É esta a maneira mais honesta que tenho de comemorar o Dia Mundial do Teatro. Afirmando: não, meus queridos, temos pena, mas não somos todos artistas…













#1
Porque não existe maneira virtuosa de se SER efémero, o método mais eficaz de apresentar os dados em jogo será talvez o da técnica do ipsis verbis — sem edições jornalísticas nem Photoshops ideológicos. O primeiro round chama-se “FACEBOCAS”:


Dinis Coelho — Acho vergonhoso ainda existirem pessoas que apoiam este paneleiro com a mania que é irreverente. Este palhaço serve-se do talento das pessoas, e da sua ingenuidade, para as manipular, a este ponto tão alto de estupidez . Acho indecente andarem a roubar dinheiro com este tipo de actuações baratas e pouco fundamentadas.

ESTUFA Plataforma Cultural — pouco fundamentadas dinis?! devias ter lido a folha de sala, acompanhado o tumbler e perguntado se querias saber mais.. Acho completamente desapropriada a tua abordagem. Entratento falamos. Diana Coelho

Dinis Coelho — O que se viu no palco nao foi minimamente bem feito, foi um conjunto de cenas sem nexo deixando-vos à deriva no palco sem saber o que fazer,e cenas planeadas para chocar só porque é giro.

Roger Hipérbole Madureira — Tu sim és indecente! Chamas o Rogério de paneleiro, mas já olhaste bem para ti oh macaco da percussão?! Ainda bem que fizemos o pior espectáculo do ano! Ainda bem que não gostaste! Ainda bem que ficaste chocado! Agora não venhas falar sobre fundamentação nem acusar-nos de actuações baratas! A informação está toda à vista para os inteligentes e se não está tens 7 pessoas em palco que respondem pelos seus actos e ideologias! Tiveste a decencia de ir falar com algum de nós? Com a tua irmã por exemplo que estava lá? Suponho que não. Enfim não tenho mais nada a dizer deste rídiculo comentário enquanto interprete deste espectáculo. Boa tarde

David Bernardes — DInis venho-me juntar a festa e à troca de palavra que por vezes ofensivas sobre este espectaculo. Nada que tenha sido feito neste espectáculo foi-nos imposto até porque se olhares para a informação nós somos os sete co-criadores deste espectaculo a responsabilidade é de todos e de cada um individualmente porque no que eu fiz em cena foi onde até poderia ir e até poderia ir mais longe mas não fui porque sei que estou numa terra de mentes fechadas. Nada foi para chocar por ser giro, isso já foi feito milhares de vezes mas p´los vistos nesta terra não. Eu amo muito torres vedras e gosto das pessoas tenho sorrisos para dar a todos e como aceito que nao gostem do espectaculo aceitem tambem que não me apetece ouvir provocações porque apenas e só querem mostrar revolta e não compreensão. Sei que compreensão com este espectaculo é dificil mas peço Respeito e aconteceu em Torres Vedras mas é com toda a gente. EPah Respeitem-se se nao gostam afastem-se e não julguem. Cada qual segue o seu caminho. Um bom almoço

Ruben Monteiro — Roger Hipérbole Madureira…calminha meu amigo!Que há por aí mais macacos da percussão e eu sou um deles!Felizmente não vi este espectáculo…e como diz o David e bem: quem nao gosta que se afaste….eu já o fiz e há mt….ja deixei a minha cota parte para espectáculos que não consigo entender…talvez por estupidez ou por ignorância minha, quando o espectáculo sai furado diz-se que ninguem entendeu e é tudo malta limitada sem visão…pelo que sei houve garrafas no cu e tudo…ainda estou para perceber a intelectualidade e a arte nisto…gosto muito da minha amiga Diana Coelho e só por respeito a ela não me estendo mais…até já

Roger Hipérbole Madureira — Ruben não se trata de gostar ou não gostar, trata-se de respeitar coisa que muita gente não faz. Não considero as pessoas que não entenderam ignorantes ou estúpidas. Acho que as pessoas que não entenderam o espectáculo ou algumas cenas dele, mal informadas. Isto porque não leram a folha de sala ou não compraram a fanzine. A informação e explicação para tudo o que se passou em palco está à vista de todos e assim sendo só não sabe quem não leu. O espectáculo ao contrario do que se pode pensar não saiu “furado”. Prometemos “o pior espectáculo do ano”, e cumprimos com tal. Quanto à situação da garrafa no cu aconselho quem não percebeu a ver o filme “Trash” Paul Morrisey, filme que estava exposto na fanzine. Talvez assim se torne perceptível. Quanto à situação do “macaco da percussão”, a única coisa que tenho a dizer é que quem insulta não pode estar à espera de não ser insultado. Mesmo que não tenha sido directamente para mim, como co-criador do espectáculo senti-me insultado e resolvi responder. Acho que esta situação infeliz deve ficar por aqui. Quem não percebeu e queira perceber tem 7 pessoas disponíveis para dar as respostas, com toda a calma e compreensão. Cumprimentos.

André Santos — O quanto é lamentável toda esta situação. Desde que a palhaçada começou que só se manda coisas para o ar, sem sequer se tentar perceber fosse o que fosse. Acho indecente, desnecessário, ridículo, infantil, patético, e mais um milhão possível de coisas, esta situação de merda que se gerou. Se não queria ver, saísse da sala, se ficou foi porque de alguma forma lhe tocou, ou mexeu. Tinha alguma coisa a dizer porque não disse directamente às pessoas envolvidas em vez de deixar comentário execráveis aqui? Um bom lado de senso comum, coragem, precisa-se parece-me. E ninguém manipulou ninguém, ninguém se aproveitou de ninguém, ninguém usou ninguém, diga-se!!! Quanto a fundamentações, só nao leu quem nao quis, já o disse o meu caro amigo Roger no comentário acima. Pergunto-me: “Será que foi adão que quis comer a maçã, ou foi a eva que lhe deu para comer?” em ambas as situações Adão comeu por que quis. Como aqui, só comeu quem quis ser pecador!!! quem não quis comer não comeu é santo! Quem comeu e depois critica é pecador reprimido. Eu sou pecador ASSUMIDO!!! E quem não gostou, e achou o espectáculo de merda, muitas outras coisas. OBRIGADO!! Queriamos que fosse o pior espectáculo do ano. MISSÃO CUMPRIDA!!

Ruben Monteiro — Sois os maiores!Se vocês são artistas eu não sou!beijinhos 😉

Pedro Fortunato — então os senhores fazem um espetáculo para uma plateia inteira, divulgam nas ruas e nas redes sociais e depois quem não gostou ou quem quer opinar tem de ir bixanar nos bastidores, não pode usar os mesmos meios? desde “O Fontanário” que a arte provoca estas paixões nos seus recetores, não podemos querer que seja tudo uma cambada de gente passiva que rece o lhes é dado sem ripostar. ou era essa a intenção dos criadores? se é para soltar a repressão do pecado é tão válido usar um espetáculo como chamar nomes no Facebook, ora essa…

Raquel Monteiro Com todo o respeito pelo que tentaram fazer, durante um espetaculo onde indecências e coisas sem nexo aconteciam resolvi ler a folha de sala. No meu entender não conseguiram transmitir nada do que lá estava escrito. Não causaram CHOQUE mas sim INDIFERENÇA, DESRESPEITO E NOJO perante as pessoas que dispuseram do seu tempo e dinheiro para apoiar um suposto trabalho de jeito. Quem expõem um trabalho seja onde for, não pode esquecer o respeito que deve à audiência. Uma vez que o espectáculo não era para maiores de 18, estavam crianças na sala que não tinham de levar com esta irreverencia sem escrúpulos. Se querem fazer alguma coisa de jeito, abram os olhos ao Mundo e trabalhem!

André Santos Desculpa cara Raquel mas não causamos choque? Então toda a polémica a volta de uma cena TEATRAL que é enfiar a garrafa no cu, tem tudo haver com INDIFERENÇA e DESRESPEITO? não me parece. Para além de que nunca mas nunca obrigamos ninguém a ir ver nada. E sim Pedro divulgamos e recebemos criticas positivas e negativas de algumas pessoas, mas sempre com respeito como qualquer cidadão comum, não vieram aqui “bixanar” como referiste insultando as pessoas. E minha cara Raquel quanto à faixa etária do espectáculo, não sabes muita coisa a esse respeito! Se soubesses talvez não referias esse ponto, mas essa também é uma questão que me ultrapassa. E na minha opinião é algo que tem haver com a entidade produtora de um espectáculo. E não entremos por “abrir os olhos ao Mundo” por nem tu, nem eu, nem ninguém conhece o mundo todo!E se falas tanto por não abres tu os olhos ao mundo, ao invés de andar a perder tempo com estas coisas. Se chamas irreverencia sem escrúpulos a uma cena teatral o que chamarás a um video pornográfico que hoje em dia todas as crianças tem acesso? A privatização das coisas dá pano para mangas, e lamento não vou discuti-lo contigo, tenho bem mais que fazer. E quanto ao dinheiro que gastas-te fala com a estufa, não fales com os actores nem encenador! Mas contudo, eu agradeço a vossa opinião e os vossos comentários!Mais força nos dão. Diana Coelho, meu bem, só lamento isto tudo por ti.

Rui Matoso — Já agora, se me permitem… a única coisa a lamentar, de facto e de direito, é a ausência de classificação etária, mas a responsabilidade disso é do Teatro-Cine (entidade pública tutelada pela Câmara Municipal)…gostava de ver então a mesma intolerância aqui verbalizada contra a CMTV! Apesar de ser um assumido “epic fail”, este ” espectáculo” é bem capaz de ficar para a história das artes em Torres Vedras. De resto ainda não percebi qual é a acusação estética …cenas sem nexo ? cenas com sexo ? muitos gays em cima do palco ao mesmo tempo ? depravação ? … foram enganados pela propaganda ? …paciência o que é que se há-de fazer !!!…ou como diz o poet,a primeiro entranha-se… 🙂 … ou… pedir o livro de reclamações. Para os “artistas” , entre aspas porque sei que essa é uma identificação que gostariam de recusar, e acho bem, deixo aqui o meu apoio e solidariedade pelos resultados. Força ! Onde posso comprar a Fanzine?…que não vi, nem a folha de sala.

Ruben Monteiro — Têm todos é uma granda cantiga…ó lai larai li ló lé la, ó lai larai li ló ló….

Carlos Ruivo Opa este “espectáculo” não existe em Vídeo? Depois desta conversa, Fiquei curioso…

Yaga Baba realmente… Nem vídeos nem fotos… Então pessoal?

Roger Hipérbole Madureira ‎— André Santos e Rui Matosoobrigado pelo teu comentário! Rui a fanzine pode ser comprada através de qualquer um de nos ou mesmo junto da Estufa se ainda tiverem algum exemplar com eles. Carlos Ruivo e Yaga Baba o vídeo e as fotos ainda não nos foram entregues e por isso ainda não foram divulgados, mas assim que possível estarão online. Ruben Monteiro não estamos a dar cantigas a ninguém e muito menos a dar uso ao ditado popular que diz que “com papas e bolos se enganam os tolos”, só queremos mais uma vez aquilo que não nos têm dado, ou seja, respeito e liberdade artística seja lá isso o que for.

Raquel Monteiro — A nossa liberdade acaba quando começa a dos outros. Quando voces não respeitam e alegam que ninguem entende e que voces é q são muito inteligentes não estao a respeitar os outros. O respeitos não se impõem conquista-se! E como esta conversa já enjooa e o espectaculo chegou para perder tempo, fico por aqui!

Yaga Baba — ai não vos deram liberdade artística? ahaha Tá boa essa. Fico então a aguardar essa fotos e/ou vídeos. Roger that.

Rui Matoso Esta conversa toda começou enviesada, e por isso é desinteressante do ponto de vista das artes. Se alguém quisesse discutir os pressupostos e as opções estéticas/éticas teria de começar por conhecer o trabalho anterior do Rogério Nuno Costa e as suas ideias…mas não foi isso que aconteceu. O que sinceramente mais me choca é ver os elementos da banda Albaluna (que pressuponho se consideram artistas/músicos) a denegrir o trabalho de outros também supostos artistas, e isso, desculpem, não tem sentido, só revela ódio e mal estar cultural. Isto porque, seria igualmente fácil e gratuito, começar a injuriar o trabalho dos Albaluna, o qual como sabem aprecio! Portanto, o que seria útil e lógico é haver uma maior compreensão e gosto pela diversidade de práticas artísticas, sejam elas mais consensuais ou mais fracturantes do ponto de vista social. Há espaço para todos e para mais, cada proposta deve conquistar os seus públicos e o Teatro-Cine deve ser um palco aberto a todas as tendências, gostos e formas de arte. Afinal, qual de nós é capaz de cumprir o papel de júri e avaliador estético ? Temos conhecimentos para isso ? Temos Curriculum ? Temos experiência suficiente ? NÃO…então é preciso ter cuidado para não fazermos o papel de censuradores ao serviço não sei de que interesses. Não somos todos boas pessoas ? Good Vides ? Cool ? Ecologistas, respeitadores dos direitos humanos, etc…e outras etiquetas mais…então comportemo-nos como tal e não fazer estalar o verniz assim tão facilmente. Ok ?! Paz e Amor !!!! 😉

ESTUFA – Plataforma Cultural Rui Matoso e Yaga Baba Sim, temos as fanzines e fotos do espectáculo. Podemos fazê-las chegar caso o pretendam. obrigada pelo interesse.

Ruben Monteiro — Podes crer!grande mal estar cultural…a denegrir o quê?!O pior espectáculo do ano?já está denegrido por si…e volto a salientar…EU NÃO SOU ARTISTA!Levem lá a liberdade artistica!

Luis Rafa T Matos — O gosto de cada um é único, e é a impressão digital de cada alma e das suas emoções/razões. Dito isto, compreendo as opiniões encolerizadas, assim como as palavras dos performers. Num evento teatral desta natureza, abre-se espaço para a expressão da tão reprimida pulsão, nas suas mais variadas vertentes de existência; Tanto a pulsão do fazer, como a pulsão do não fazer. Este espectáculo, por trabalhar elementos que se inserem nos “hiatos” da narrativa clássica, i.e. por corporizar o que se costuma esconder a bem do entendimento e/ou da moral e até do ritmo narrativo, correu o risco (premeditado) de não ser “compreendido”, mas se tal não tivesse sucedido, creio que então sim tudo tinha falhado. Se apenas tudo o que for óbvio ou eximiamente executado for considerado arte, estamos então sim a caminho do anular da própria arte. O objectivo verdadeiro da arte não é entreter público, é romper com modelos anteriores. Eu entendo a arte como o corpo do pensamento filosófico, embora tenha presente que para muitos a arte é um conceito difuso, onde se englobam todas as actividades que não impliquem “sacrifício da alma” para produzir seja o que for, o que também não deixa de ser verdade. Seja como fôr, não me lembro de abanão tão grande como este, no cenário “artístico” de Torres Vedras. Quanto à relevância artística do momento da “garrafa no cu”, bom… na altura considerei-o redundante, por achar que iria ter um efeito dramatúrgico semelhante ao da contraluz em fotografia, i. e. reduzir todo o espectáculo àquele momento, apagando o resto da memória de todos e inibindo a percepção cognitiva e sensitiva do restante evento, para quase todo o publico. Efoi isso que sucedeu, e não creio que foi sem querer… Para terminar com um “comic relief”, remeto-me ao Ricardo Araújo Pereira: ” O meu filho nos escuteiros??? Nunca!! Eu quero é o meu filho na droga!! Porquê!? Ora porque andar na droga é de homem!!! “

Rui Matoso — Grandiosa síntese Luis Rafa T Matos !!! mas não creio que a “polémica” seja devido a uma cena de masturbação homoerótica, não creio que o nu, a sexualidade, etc…sejam ainda polémicos, designadamente porque as críticas ofensivas que apareceram neste post é de pessoal jovem e de mente aberta. Aliás antes houve um outro espectáculo “Radical Wrongg” tb muito forte, houve simulações de violações, caralhadas, etc… E aliás, isto esteve há pouco em Lisboa no Teatro São Luís e foi uma festa…http://www.youtube.com/watch?v=paemI231rrg

Luis Rafa T Matos — Sim claro, nada disto é novo. O Eurípedes além de ser um dos tipos que inventou o teatro, animou bem as hostes à época, nomeadamente com as “As Bacantes”, que continua a ser uma impressionante peça de teatro mesmo nos dias de hoje! Em termos latos assemelha-se muito mais a uma peça dos “La fura del Baus” do que a um teatro “clássico”… o que diz muito sobre a contemporaneidade da coisa, e tendo em conta que é uma obra com 2500 anos… (Ops!! Se calhar o teatro não se tem inovado assim tanto em termos dramatúrgicos…! ) O que me parece é que não existe o hábito de encarar a arte como instrumento disruptivo, pois é incómodo e até arriscado do ponto de vista institucional… Ainda assim, relembro que o grande objectivo de teatro é o de provocar no público a catarse! E que sem esta, toda e qualquer peça de teatro é um falhanço (pelo menos para o Gregos) ! Acho que esta peça ( Residência artística), no meio de todo o alvoroço caótico, acabou por provocar certamente mais catarse que uma peça da Eunice Muñoz encenada pelo Diogo Infante… ( com todo o respeito pela senhora e senhor) digo eu!

Inês Gomes Pimenta — Isto tudo se resume ao ditado popular que diz que Torres Vedras é a terra dos aborrecidos… Não estive lá para ver (com muita pena minha) mas acho sinceramente que virem aqui dizer mal de quem tem “cojones” para fazer tudo isto só mostra os retrógrados que são. Mostra o quão aborrecidos são que nem se conseguiram rir com tal performance, podem crer que eu se lá estivesse ia-me fartar de rir com toda esta situação. É por estas e por outras que não dá gosto nenhum viver no meio desta gentinha aborrecida…



Taito kumartaa itään, pyllistämättä länteen.

Suomettuminen (saks. Finnlandisierung) tarkoittaa voimakkaamman valtion vaikutusvaltaa heikomman naapurimaan asioihin. Käsite esiteltiin alun perin Itävallassa jo 1950-luvulla, mutta sitä alettiin käyttää ahkerasti Saksan liittotasavallassa 1960-luvun lopulla. Termiä käyttivät alun perin liittokansleri Willy Brandtin vastustajat kritisoidessaan hänen uutta, Ostpolitik-nimellä tunnettua ulkopoliittista linjaansa liian neuvostomyönteisenä. Brandt tuomitsikin termin käytön suomalaisia loukkaavana. Se merkitsi sananmukaisesti Suomen kaltaiseksi tulemista.

Suomessa suomettumisen ydinaikaa oli Kekkosen hallintokausi. Kekkosen ensimmäisellä presidenttikaudella alkanutta poliittista kehitystä Suomessa on myöhemmin kutsuttu suomettumiseksi. Tavallisesti suomettumisella tarkoitetaan sellaista poliittista kehitystä, jossa pieni demokraattinen maa alistuu suuremman, totalitaarisen naapurivaltion tahtoon. Myös etenkin 1960-luvun alkupuolen Noottikriisi ja 1968–1982 eli jakso Tšekkoslovakian miehittämisen jälkeisestä Brežnevin opin mukaisesta neuvostopolitiikan tarkistuksesta Mauno Koivistontuloon presidentin sijaiseksi 1981 ja presidentiksi 1982 olivat yhä väkevää suomettumisen aikaa. Esimerkiksi Max Jakobson on pitänyt Suomen sisäpolitiikkaan 1980-luvun alkupuolelle saakka merkittävästi vaikuttaneen ministerineuvos Viktor Vladimirovin paluuta vuonna 1984 Neuvostoliittoon merkkitapauksena suomettumisen ajan vähitellen päättyessä. Mutta vielä 1985 Koivisto pyrki estämään Juho Kusti Paasikiven päiväkirjojen julkaisemisen ja lopullisesti suomettuminen alkuperäisessä merkityksessään päättyi vasta Neuvostoliiton hajoamiseen 1991. Suomalaisesta poliittisesta keskustelusta käsite ei kuitenkaan ole täysin hävinnyt 2000-luvullakaan, ja suomettuneisuuden tai “uussuomettumisen” käsitettä on viljelty milloin puhuttaessa Suomen suhteista Neuvostoliiton seuraajavaltio Venäjään, milloin Euroopan unioniin, milloin Yhdysvaltoihin.

Tarkka suomennos olisi “suomettaminen”. Rinnakkaistermi suomettaminen tarkoittaa sitä, että pyritään saamaan valtio tai ihminen suomettuneeksi ja suomettuminen taas, että suometutaan itsenäisesti. Käsitteellä tarkoitettiin negatiivisesti Suomen joutumista Neuvostoliiton valtapiiriin. Suomessa Neuvostoliiton vaikutusvalta ulottui myös sisäpolitiikkaan ja ilmeni mediassa ns. itsesensuurina. Uuden Suomen entinen päätoimittaja Lauri Aho kirjoitti suomettumisen tarkoittavan “tilaa, jossa maa ilman Neuvostoliiton miehitystä, ilman kommunistikaappausta ja ilman demokraattisten laitosten poistamista on tietyn asteisessa riippuvaisuussuhteessa Moskovasta” (Uusi Suomi 14. marraskuuta 1971).

Kun suomettumiskeskustelu alkoi levitä, presidentti Urho Kekkonen yritti antaa käsitteelle myönteistä sisältöä yhdysvaltalaiselle Newsweek-viikkolehdelle syyskuun alussa 1973 antamassaan haastattelussa: “Jos suomettumisella tarkoitetaan todellista tilannetta, sitä että sodan hävinnyt pieni eurooppalainen maa on säilyttänyt itsenäisyytensä ja omanarvontuntonsa, päässyt jaloilleen ilman ulkopuolista apua, luonut hyvät ja luottamukselliset suhteet suurvaltanaapuriinsa ja kehittänyt oman puolueettomuuspolitiikkansa, niin pidän sanontaa imartelevana! Mutta näinkään määriteltynä ei suomettuminen ole vientitavaraa.”

Historiantutkijoista suomettumisen aikaa ovat selvitelleet etenkin Hannu Rautkallio ja Timo Vihavainen. Vihavainen julkaisi aiheesta vuonna 1991 huomiota herättäneen teoksenKansakunta rähmällään (Otava). Myös suomettumisen ajan huomattava ulkopoliittinen vaikuttaja Max Jakobson on varsinkin teoksissaan Vallanvaihto (1992) ja Tilinpäätös (2003) ruotinut 1970- ja 1980-lukujen ulkopolitiikkaa ja Suomen ja Neuvostoliiton tuolloisia suhteita. Tuoreeltaan suomettumisilmiötä käsitteli laajasti virolais-ruotsalainen toimittaja Andres Küng vuonna 1976 ilmestyneessä teoksessaan Vad händer i Finland (Mitä Suomessa tapahtuu).



SUOMETTUMINEN™


TERCEIRA VIA™ / KOLMAS TIE™
The art of bowing to the East without mooning the West



Instalação Pedagógica + Ajuda Profissional


Dia 4 de Março de 2013
Horário de Atendimento: das 19:30 às 23:30


Avenida Rodrigues de Freitas, 164, 1.º, Porto


Primeira intervenção pública, logo política, do projecto que visa a instauração de um macro-partido trans-universal, pós-dogmático e “finlandizado”, com epicentro em Helsínquia e abalos mais significativos na €uropa Periférica. Atendimento personalizado a futuros simpatizantes (Escritório, NEC) + visita des-guiada aosheadquarters temporários (Espaço 6×6, NEC). TERCEIRA VIA™ propõe um saneamento est(ético), logo profil(árctico), da “doença mediterrânica” (em Latim:Azeitegeist). Solicita-se a apresentação de um qualquer elemento de identificação do tipo PIIGS e a leitura atenta destas normas de higiene (ISO 1+1=3).





Secretário-Geral_Rogério Nuno Costa
Secretária-Adjunta_Cátia Pinheiro
Vogais_Cristiana Rocha, Mafalda Couto Soares


Kiitos Suomalaisille_Ana Fradique, Tuukka Tammisaari, Nuno Correia, Ulla Janatuinen, Diana de Sousa, Rita Vargas, Eva Malainho, Elina Satu Maria Manner, Mika Christian Tissari, Diana Niepce, Joana Ribas

…Portugali_Diana Coelho, Roger Madureira, Tânia Figueiras Ribeiro, David Bernardes, Marta Coelho, André Santos, Filipa Alves, Filipe Gomes, José Capela, Paulo Vasques, Vera Mota, Gabriela Vaz-Pinheiro, Mickaël Oliveira, José Nunes, Uíca, Estufa, CITAC, O Espaço do Tempo, TAGV, Núcleo de Experimentação Coreográfica.


Depois de “Residência (Artística)” e “Realpolitik”, “Terceira Via™” fechará o ‘Ano Zero’ (biénio 2012/13) do macro-projecto “Universidade/Yliopisto”. Estreia final em Novembro de 2013, com lançamento do Plano de Intervenção para o ‘Ano Um’ (biénio 2013/14).



Mais info:

1 + 1 = 3


A Lei da Terceira Via™
[10 mandamentos]
01/
Na Terceira Via™, o mundo é exactamente igual ao mundo. Este mundo. Não há outro. 
02/
A Terceira Via™ não cria, revela; não representa, apresenta; não mostra, expõe; não fala, diz; não escreve, inscreve; não quer ser, é; não explica, enuncia. Na Terceira Via™, não se procura, encontra-se. Vai-se até onde se pode; quando não se pode, não se vai. Fica-se caladinho e espera-se pacientemente que o tempo mude. Ou não.
03/
A Terceira Via™ não aceita, mas também não nega. A Terceira Via™ agradece. Nem dialéctica negativa, nem dialéctica positiva, e não-dialéctica é coisa que não-existe. A Terceira Via™ não acredita na cura, mas também não na doença; não é um placebo, mas também não é um nocebo. Os efeitos da Terceira Via™ são sempre terciários.
04/
Na Terceira Via™ ninguém ganha e ninguém perde. Joga-se, mas para empatar. Sempre. Não há finalidade, portanto. A Terceira Via™ inaugura a era do empate técnico. Neutro, árctico e suicida. Show off a querer ser show out. Nunca show on.
05/
Na Terceira Via™ somos todos importantes, porque valemos todos zero. Não somos aquilo que valemos. Somos aquilo que dizemos ser. Not faking it ’til making it; faking it ’til becoming it.
06/
A Terceira Via™ é a-partidária, pária e demissionária. Porém, simpatiza artisticamente com o Dogma 2005, politicamente com o Pirat Partiet, religiosamente com o Kopimismo e filosoficamente com o Re-Re-Realismo (também conhecido por Realismo Gago™).
07/
Na Terceira Via™ nunca estamos lá dentro. Estamos sempre cá fora, a sorrir e a acenar. Sabemos sempre tudo, porque temos visão periférica. Somos transparentes: observamos os dois lados, o meio e o conjunto. Ou seja, na Terceira Via™ não vemos o mundo com óculos 3D. Vemos o mundo. Não corrigimos a miopia — gostamos mais de ver ao perto. O longe está muito longe. O aqui é melhor.
08/
Na Terceira Via™ fala-se Finlandês. Numa perspectiva semântica (a única que logística e linguisticamente interessa), estamos na Europa, mas não somos Europeus. Mas também por uma questão de Realpolitik: a Terceira Via™ é finlandizada porque faz de conta que não deve nada a ninguém. Se não os podemos vencer, não os convidamos para jogar.
09/
A Terceira Via™ não é inteligente. É só esperta. Sabe o que diz e di-lo com determinação. Vai até onde a vista alcança. E por isso gosta de ser clara. E jornalística. Responde: Quem? O quê? Onde? Quando? Como? Porquê? E deixa-se ficar. A Terceira Via™ não é, portanto, interessante. Ainda que pretensiosamente complexa, não é profunda, é rasteira, superficial e rasca. Ideologicamente, a Terceira Via™ é techno, é brega e é €TRASH™. A Terceira Via™ é pimba, o que não quer dizer que a Terceira Via™ seja do povo — a Terceira Via™ é povo. 
10/
Para uma nova ordem ética, estética, política, sociológica e filosófica global, a Terceira Via™ erradica a ética do gosto, a ambiguidade, a narrativa (des)instituída, a criatividade, a originalidade, a ironia, a tretologia, todos os coming backs, “trendsectarisms” e respectivos novos pretos, a gaseificação da arte, a solidificação industrial da mesma, o conceito genérico (logo, comercial) de “performatividade”, a hipsterização das práticas artísticas (ou seja, a redução da arte, e do resto, à disciplina do Design), a responsabilização do espectador, o sistema de “castas”, a relação do eu com o outro, a confusão secular entre Arte e Desporto (também conhecida por “medalhização” mediática do art-leta), a arte que se parece com arte e a que se parece com coisas que não são arte e, de um modo geral, todas as práticas para-artísticas (da recepção à crítica, da produção à promoção) que se inscrevem em regimes de primeira ou de segunda via. Ou seja, a Terceira Via™ erradica o Século XX. E todos os séculos para trás. E todos os séculos para a frente. A Terceira Via™ também erradica o Presente — é quanticamente a-temporal, a-espacial, a-histórica e a-moral. Ou seja, a Terceira Via™ é a-estética, porque est(ética): o copo não está nem meio cheio nem meio vazio — é só um copo. A Terceira Via™ subscreve uma triplicidade céptica e desacreditada. Céptica e desacreditadamente.
 

    RESIDÊNCIA (ARTÍSTICA)

    (Respostas completas às perguntas que a jornalista do Correio da Manhã me colocou.)

    Porquê uma peça sobre a cena hipster?
    Não posso afirmar que o espectáculo “Residência (Artística)” seja “sobre” a cena hipster. As premissas do projecto estão mais próximas de alguns lugares-comuns caros ao universo das artes performativas, nomeadamente aqueles que revelam/denunciam algumas das fragilidades dos processos colectivos de criação/co-criação. A ser “sobre” alguma coisa, o espectáculo é sobre ensaios, espaços de trabalho, direcção/encenação, esquemas de produção, análise de documentos, reuniões, avanços e recuos, erros e falhas, e vontades de desistir. Acima de tudo, o espectáculo é sobre esse cliché da contemporaneidade performativa que são as “residências artísticas”, espaços onde os conceitos de ócio e negócio sobrevivem em constante tensão dialéctica, e onde grupos de artistas/criadores se convencem que estão a “criar” num espaço com características supostamente distintas do seu habitat natural de trabalho. Hoje em dia, o “estar em residência artística” é tão comum que passou a ser o habitat natural de criação do artista, e já não uma excepção exótica qualquer… O espectáculo que fiz com um grupo de 6 actores (totalmente criado/produzido “em residência artística”) é justamente sobre esse espaço transitório onde se “reside”, com o objectivo de se concretizar algo que seja do regime do “artístico”, e onde o tempo se torna mais elástico (e lento) porque os corpos resistem à ideia de rotina. Um mês em residência bastou para percebermos que estávamos a trabalhar em cima de um conceito (mais ou menos operativo) ao qual chamámos “preguiça” — tratando-se daquilo que não se espera de nenhum artista, achámos que estávamos no bom caminho! A cena hipster surgiu posteriormente, quando precisámos de fabricar uma imagem que promovesse não só o espectáculo, mas sobretudo essa ideia de “preguiça residente”, ao mesmo tempo estética e política: tal como os hipsters, queríamos desenvolver uma qualquer arrogância cínica, demitindo-nos de tudo (inclusive do próprio espectáculo), para então podemos apresentar a Preguiça como o “novo avant-garde“, um estilo a adoptar se quisermos ser pessoas interessantes. Sabendo ser fácil “mimar” o estilo hipster (ou pelo menos os clichés que sobre ele abundam nas redes sociais), tratou-se apenas de colar uma imagem aos corpos dos 6 actores e fotografar, sem qualquer ligação (pelo menos imediata) com o que de facto iria acontecer em palco.
    Considera que há hipsters (ou traços desta sub-cultura) em Portugal?
    Não acho que o “hipster” seja uma sub-cultura, nem tão pouco um movimento. Na verdade, acho que os hipsters não existem; são um mito da Internet! Mas também posso dizer que “hipsters” sempre existiram, em todas as épocas e em todas as culturas, o que vai dar praticamente ao mesmo. O pseudo-movimento interessa-me justamente por isso, por ser mais uma condição dos tempos modernos e não uma corrente ou um manifesto underground com limites espácio-temporais definidos; é um filho directo do monopólio da virtualidade e da tele-comunicação sobre a “realidade”, e isso foi um perfeito subterfúgio conceptual para o que queria tratar no espectáculo. Em Portugal existem muitas pessoas que se parecem com hipsters (ou seja, com a caricatura de hipster que aparece nos sites humorísticos, também eles muito hipster…), mas acho que aqui a máxima do “se se parece com um pato, se nada como um pato, logo é um pato” não funciona… Acho que o charme do hipster está justamente em nunca se saber se é ou não. Até porque nunca é.

    Como caracterizaria este movimento?
    A ser um “movimento”, então é o movimento mais oco e preguiçoso de que há memória. Anula-se a si próprio a partir do exacto instante em que se afirma e se auto-denomina. O típico “hipster” é aquele indivíduo que não se preocupa minimamente em aprofundar as bandeiras que escolhe drapear (seja o veganismo, seja o noise japonês, sejam as focas em perigo no Canadá, seja o walkie talkie que é agora o novo discman), desde que se faça um desenho (meramente formal) que remeta vagamente para uma série de outros movimentos “marginais” do passado (beats, hippies, grunges, punks, etc.). É preguiçoso porque não precisa de pensar muito, nem de plasmar no papel um programa político-social, nem de partir vidros de montras, nem de organizar Woodstocks. Basta ter uma ligação à Internet. Esta preguiça, que é só conceptual (na forma, o “look” hipster pode ser bastante sofisticado…), era tudo o que eu precisava para criar uma solidez (mesmo que meramente decorativa) para a imagem da peça. A título de exemplo: uma das acções mais recorrentes do espectáculo é a documentação, em fotografia, e em tempo real, do próprio espectáculo: não está a acontecer rigorosamente nada, mas eu vou fotografar na mesma para partilhar com os meus amigos no Tumblr. Queria um espectáculo tão vazio e ao mesmo tempo tão folcloricamente ridicularizável quanto o “movimento hipster”. Ou seja, fiz um espectáculo que todos os hipsters amaram odiar.

    Quais foram as suas inspirações (desde as mais pequenas às mais relevantes) – desde música, cinema, …
    Todas as escolhas foram óbvias. Mesmo que “óbvio” não seja necessariamente sinónimo de “preguiçoso”. Mas queríamos referências reconhecíveis, da performance art ao cinema experimental. Tudo cenas que os hipsters amam amar. Vimos imensos trabalhos do Andy Warhol & amigos, pessoal que orbitava em redor da Factory só porque sim, ou então porque se arranjava droga facilmente; pessoas que partilhavam a mesma e total ausência de sentido para a Vida e para o Mundo. E que se suicidavam aos 30 quase que acidentalmente. Imagens da trilogia “Flesh/Heat/Trash”, de Paul Morrissey chegam mesmo a aparecer no espectáculo. Vimos tudo o que havia para ver do John Waters, e daí para baixo foi sempre a descer pelas facetas mais podres e decadentes do ser humano, até batermos no fundo. “Bater no fundo” também fazia parte das premissas. Paralelamente, fazíamos muitas festas dionisíacas ao som da Banda Uó, um trio brasileiro que “hipsterizou” o tecnobrega e o transformou numa caricatura do que é que significa ser suburbanamente “fixe”. Nós cá não temos nada que se pareça com tecnobrega, mas ainda assim decidimos pegar na “música pimba” (a realidade musical mais próxima) e pedimos ao Peter Shuy que a “hipsterizasse”, criando um novo estilo musical: o “electropimba”. Isto não quer dizer mais nada a não ser a facilidade com que hoje em dia se criam “trends” só porque se tem um Macintosh com uns programinhas user-friendly lá dentro. E “Residência (Artística)” queria muito ser um espectáculo assim: sedutoramente fácil, vazio e “fixe”.

    O que foi mais difícil em todo o processo?
    Foi tudo muito fácil. Faz parte do ADN da espécie humana entregar-se de corpo e alma (mais de corpo que de alma) ao ‘dolce far niente’.

    Quantos actores tinha a peça e de que forma os conseguiu envolver no tema?
    Seis actores. Todos eles muito “fixes” na sua maneira de ser enquanto pessoas (logo, enquanto actores). E todos eles incrivelmente preguiçosos. Apesar de ter graus de proximidade diferentes em relação a cada um deles (alguns já tinham trabalhado comigo antes, outros não), a resposta à proposta foi muito pacífica.

    Quanto tempo de ensaios tiveram?
    Um mês.

    Quando estreou a peça pela primeira vez?
    Estreou no dia 27 de Março de 2012 no Teatro-Cine de Torres Vedras. 


    #3. TERCEIRA VIA™

    Um tutorial, um disco externo, uma retrospetiva, um dogma 2012, um caderno de notas, um projeto site-specific, uma declaração de amor, um coletivo de artistas, uma mesa redonda, uma residência artística, um espaço devoluto, uma associação cultural, uma loja vintage, um clássico contemporâneo, uma música original, uma e-zine, um workshop, uma festa temática, um jantar performativo, um teatro político, uma arte urbana, um blog de tendências, uma viagem espiritual, um gender study, uma mixtape, uma rede cultural, um grupo de pressão, uma edição de autor.

    Ou seja, tudo o que é mau.





    Após “Residência (Artística)” e “Realpolitik“, “Terceira Via™” fecha a trilogia “Universidade” (Ano Zero). Brevemente, num não-lugar qualquer (longe de si).


    LO-FI -SOPHY

    REALPOLITIK
    UMA CORPORAÇÃO PÓS-HUMANA AO SERVIÇO DO AVANÇO
    DA BIOQUÍMICA MEDICINAL, DO TRANSPORTE AEROESPACIAL,
    DO ENTRETENIMENTO META-TRÓPICO E DA ENGENHARIA MEGALOFÍSICA.







    PARTE 1 — EMBARQUE

    “Cinema is the ultimate pervert art. It doesn’t give you what you desire — it tells you how to desire.” [Slavoj Žižek]
    Bem-vindo! Obrigado por ter escolhido a Realpolitik Inc.para o seu embarque no Novo Mundo. Antes de iniciarmos o Oscilador Harmónico, pedíamos que confirmasse que não tem em seu poder quaisquer objetos do Velho Mundo; eles serão completamente inúteis à construção do regime pós-humano. Todo e qualquer objeto deverá ser colocado no desfibrilhador quântico para ser automaticamente desintegrado. Tome algum tempo para consultar o Libreto de Embarque; vai reparar que ele está recheado de informações preciosas que o ajudarão a melhor compreender as ações pós-dramáticas da nossa tripulação; assim, em caso de dúvida, saberá o que pensar. O seu código genético está escrito nas costas da cadeira para, em caso de turbulência quântica, conseguir voltar a encontrar o seu lugar. Faz parte da política de segurança da Realpolitik, Inc. que os pré-cyborgs permaneçam conectados à nossa malha quântica durante toda a viagem purgatória. No caso de uma descompressão de emergência, retire cuidadosamente os elétrodos sofismais do seu corpo. No caso de uma perturbação amniótica disruptiva, as costas da sua cadeira poderão deslocar-se para trás, transformando-se em divã. Basta pressionar o botão F, e um holograma de Sigmund Freud estará pronto para o ajudar a recomprimir. Se o seu regime psikê for lacaniano, basta pressionar o botão vermelho, ou então, simplesmente, esfregar a lamparina cósmica para libertar o Génio. Durante os blackouts, coloque as mãos sobre a zona occipital da sua cabeça para libertar a endorfina somática, de maneira a fazê-lo sonhar com espetáculos do Velho Mundo. Se sentir que duas ações pós-dramáticas se sobrepõem, uma ubiquidade de fibra ótica cairá imediatamente à frente dos seus olhos, de maneira a fazê-lo ver as duas ações ao mesmo tempo. Se reparar que o espécime humano ao seu lado não possui um mestrado em Cultura Contemporânea, faça questão de o ajudar a compreender a incoerência pós-dramática de uma ação antes de visualizar a seguinte. Em matéria de pontos de fuga às ações principais, irá notar que nos interstícios aeroespaciais que intermedeiam os lugares existem inúmeras saídas de emergência para o Real ficcionado. Olhe à sua volta: uma câmara de videovigilância pode estar mesmo atrás de si! A Realpolitik Inc. só permite drogas nootrópicas a bordo. A ingestão de toda e qualquer substância alienante produzida no Velho Mundo é estritamente proibida dentro da Arca. Queira também aceitar a nossa prorrogativa que impede todo e qualquer tipo de comportamento nostálgico e/ou saudosista em relação ao Velho Mundo, para não interferir com a nossa missão colonizadora. Agora que já está inteirado da Deontologia Realpolítika, sente-se confortavelmente, relaxe, e seja um agente passivo! Em nome da Realpolitik Inc., desejamos-lhe uma agradável transição.

    PARTE 2 — ONTOTECNOLOGIA

    Em Ciência, significa diplomacia não ideológica, política coerciva, filosofia maquiavélica, sobrevivência a-moral. Em Teatro, significa demagogia triplamente realista, ou seja, re-re-re-realismo, também conhecido por Realismo Gago: nem diz ‘sim’, nem diz ‘não’, mas também não diz ‘talvez’. Reticente… Por uma questão de sobrevivência, Realpolitik encosta-se perigosamente a dois dos conceitos mais non grati da contemporaneidade: a VERDADE como ato revolucionário (que roubámos a Orwell) e a GENERALIZAÇÃO como atividade primeira do pensamento (que roubámos a Hegel). Em modo cartoon: “The art of bowing to East without mooning to West” (que roubámos à Pátria Finlandesa).

    SÍNTESE: Realpolitik não está na realidade. É realidade. Ao mesmo tempo paralela e perpendicular à que já conhecemos. Ou seja, Realpolitik é um sistema “triangulado”, ideologicamente “acima” e “entre” a clássica posição binária. Não tem nada a ver com a construção de uma filosofia “centrista”, mas antes com uma atitude analítica que reconcilia a dualidade, sem no entanto propor um compromisso. Ou seja, Realpolitik é realidade, mas é “realidade terceira”: perversa, finlandizada, anti-social, anti-neo-liberal e anti-anti-Kapital. Contemplatio mortis apocalyptica.

    PARTE 3 — HERMENÊUTICA (BÍBLICA)

    TESE: Uma das traves mestras mais importantes da filosofia Realpolitik tem o seguinte nome: “simultaneologia”. Ou seja, a ideologia do que acontece agora, já, em tempo real, e ao mesmo tempo. Também pode significar tudo aquilo que acontece durante, entretanto e enquanto. Não confundir, porém, “simultaneologia” com “simultaneidade”. Estamos a falar de ética, não de estética. E a ética “realpolítica” diz que tudo o que não está a acontecer agora, não existe. Cum hoc ergo propter hoc.

    ANTÍTESE: Realpolitik é uma corporação. Pós-humana e imaterial. Uma nuvem. Nela se condensa tudo aquilo que já aconteceu e tudo aquilo que vai acontecer. Porque é desprovida dos erros associados ao destino biológico, a Realpolitik apresenta-se enquanto entidade cyborguiana em permanente curto-circuito lógico: revê infinitamente e friamente as milhares de hipóteses de futuros e de passados possíveis. Post hoc ergo propter hoc.





    PARTE 4 — GÉNESIS

    Um espetáculo de teatro, ou seja, um vídeo-jogo, uma série de Ficção (científica) com 7 temporadas de 32 episódios cada, um filme de Hollywood sobre o Apocalipse, uma aplicação para o iPhone sobre a política (Real) da sobre-vivência. Um serviço ao serviço dos poderosos: só se salva quem pode. Uma corporação pós-humana para a mutação da teoria das cordas em teoria dos sopros. Como se o Fim do Mundo “as we (don’t) know it” implicasse um novo Adão e uma nova Eva, em estado gasoso, em molecular, em design. DAsein. Realpolitik é também um medicamento transgenérico e psicotrópico, a tomar antes do Embarque, contra enjoos quânticos e outras confusões comuns entre Arte e desporto. Realpolitik está assim para as indústrias criativas como os nocebosestão para a farmacologia: só provoca os efeitos secundários (os óculos 27-D são oferecidos pela produção). Do Outro Lado, seremos todos Anjos. Em Português,  significa ‘erradicação da espécie’. Em código numérico: ‘2012’.
    PARTE 5 — ÊXODO

    META-TESE: O Novo Mundo para o qual transitaremos com a ajuda da Realpolitik, Inc. não é uma utopia, mas também não é uma distopia; por conseguinte, também não será uma mistura das duas: nem um status quo, nem um state of the arts, nem uma strings theory aplicada à arte. O Novo Mundo pós-Apocalipse será “protópico” — exatamente igual ao Velho, apenas com uma ligeira diferença (infinitesimal) de foco. Cum hoc ergo cum hoc.
    PARTE 6 — DESEMBARQUE

    Morreram durante a construção da Arca os seguintes espécimes pré-humanos (a quem a Realpolitik, Inc. agradece):

    Rogério Nuno Costa | encenação/texto/espaço cénico.
    Roger Madureira | assistência de encenação.
    Nilce Vicente Carvalho | no papel de Híbrido NVC-AF ’83 Ctx.
    João Ferreira Silva | no papel de Híbrido JFS-WB ’88 Co.
    Pedro Fernandes | no papel de Híbrido PF-PB ’84 Pt.
    Vanessa Teixeira | no papel de Híbrido VT-OD ’89 VRl.
    João Viegas | no papel de Grande Outro.
    Patrícia Antunes | no papel de Segunda-Feira, 1.º Observador.
    Fábio Martins | no papel de Terça-Feira, 2.º Observador.
    Guilherme Pompeu | no papel de Quarta-Feira, 3.º Observador.
    Anabela Ribeiro | no papel de Quinta-Feira, 4.º Observador.
    Paula Gaitas | no papel de Sexta-Feira, 5.º Observador.
    João Nemo | no papel de Sábado, 6.º Observador.
    Liliane Guerrano papel de Domingo, Observador Psíquico.
    Rogério Nuno Costa | no papel de Slavoj Žižek.
    Paula Gaitas | desenho e operação de luz.
    Leandro Silva | vídeo promocional.
    Roger & Roger Inc. | grafismo, art work & vídeo-jogos.
    Cátia Manso & Liliane Guerra | cabelos/make-up/vestuário).
    Anabela Ribeiro/Cátia Manso/Nilce V. Carvalho/Patrícia Antunes | prod. executiva.
    CITAC 2012produção.



    Financiou a Arca e toda a investigação megalophysica:
    Fundação Calouste Gulbenkian.

    Contribuíram logisticamente para a exterminação da raça:
    Câmara Municipal de Coimbra, Persona Non Grata, Máfia, SASUC, Casa da Cultura, TAGV, Estrutura, Grupo de Teatro da Nova, A Escola da Noite, Orfeon Académico de Coimbra, TEUC, TAUC, AAC, RUC, TVAAC.

    Honoris causas (catedráticos do empreendimento colonizador):

    Cátia Pinheiro, José Nunes, Mariana Tengner Barros, Mickael Oliveira, Nuno Miguel, André Santos, Marta Coelho, David Bernardes, Diana Coelho, Tânia Figueiras Ribeiro, Peter Shuy, Emmanuel Veloso, Pedro Penim, Gil Mac, Isabel Ramos, Helena Teixeira, Leandro Monteiro, Maria Luísa Pinto da Costa, Rui Cardoso, Marcelo Laguna.



    Mais:

    #2. REALPOLITIK

    PROTO-TEASER

    Um espetáculo de teatro, ou seja, um vídeo-jogo, uma série de Ficção (científica) com 7 temporadas de 32 episódios cada, um filme de Hollywood sobre o Apocalipse, uma aplicação para o iPhone sobre a política (Real) da sobre-vivência. Um serviço ao serviço dos poderosos: só se salva quem pode. Uma corporação pós-humana para a mutação da teoria das cordas em teoria dos sopros. Como se o Fim do Mundo “as we (don’t) know it” implicasse um novo Adão e uma nova Eva, em estado gasoso, em molecular, em design. Dasein. “Realpolitik” é também um medicamento transgenérico e psicotrópico, a tomar antes do Embarque, contra enjoos quânticos e outras confusões comuns entre Arte e desporto. “Realpolitik” está assim para as indústrias criativas como os nocebos estão para a farmacologia: só provoca os efeitos secundários (os óculos 27-D são oferecidos pela produção). Do Outro Lado, seremos todos Anjos. Em Português,  significa ‘erradicação da espécie’. Em código numérico: ‘2012’.
    Texto & Encenação: Rogério Nuno Costa. Assistência de Encenação: Roger Madureira. Interpretação & Co-criação: João Ferreira da Silva, Nilce Vicente Carvalho, Pedro Fernandes, Vanessa Teixeira. Participação Especial: João Viegas. Música: Peter Shuy. Desenho & Operação de Luz: Paula Gaitas. Vídeo-promo: Leandro Silva. Movimento & Coreografia: David dos Santos. Cabelos & Maquilhagem: Cátia Manso. Design: Roger & Roger, Inc. Produção Executiva: Anabela Ribeiro, Cátia Manso, Nilce Vicente Carvalho, Patrícia Antunes. Produção: CITAC 2012. Financiamento: Fundação Calouste Gulbenkian. Apoios: Câmara Municipal de Coimbra, Persona Non Grata, Máfia, SASUC, Casa da Cultura, TAGV.


    EMBARQUE:
    7 a 14 de Junho de 2012
    Teatro-Estúdio do CITAC, Coimbra

    #1. RESIDÊNCIA (ARTÍSTICA)




    Sobre um espaço onde se habita temporariamente. Sobre a angústia de ter que preencher esse espaço com momentos significativos. Sobre a vontade de não fazer nada. Sobre o síndrome de Bartleby aplicado à vida (não à arte). Sobre a preguiça como novo avant-garde.

    “Residência (Artística)” começou numa “residência artística” (primeiro em Torres Vedras, depois em Montemor-o-Novo, durante todo o mês de Fevereiro de 2012); como nada mudou desde então, então a “residência artística” subiu à categoria de título. Só pusemos o “artístico” entre parêntesis pois sabemos que nem sempre a qualidade apocalíptica de um EPIC FAIL é tida em consideração por mentes menos bravas. Queremos muito que este espetáculo seja o pior de 2012. Queremos muito que este espetáculo seja o fim do Mundo as we know it e das nossas carreiras as we want them to be. “Residência (Artística)” é por isso um encontro insólito (porque real) entre a vontade de fazer o/um espetáculo e a vontade de não o fazer (ou de fazer “nada”), entre a gratuitidade do gesto inconsequente e a obsessão pela busca de sentidos (logo, de “consequências”), entre a nostalgia de um século XX que nos deu a pior herança artística de sempre (‘Be Yourself!’) e a vontade de já só existirmos na forma/força imaterial de inteligência cyborguiana. “Residência (Artística)” é uma apologia ‘hipsterizada’ da banalidade e representa a nossa fé inconsolável numa atitude que queremos est(eticamente) criminosa e politicamente demissionária: estamo-nos mesmo a cagar para o Mundo. E isto não é retórica, é Amor. Ou então a arte de reconhecer que o copo nem está meio cheio nem está meio vazio; é só um copo com água.

    Estreia:

    27 de Março de 2012, 21:30
    Teatro-Cine de Torres Vedras

    Simultaneamente à apresentação do espetáculo, será realizado no mesmo espaço um workshop com Rogério Nuno Costa, nos dias 22, 23, 29 e 30 de Março. Os participantes poderão, caso seja do seu interesse, integrar posteriormente o espetáculo. Mais informações e inscrições aqui.





    [Atenção! Este espetáculo não tem luzes strob, mas é Kopimista. É a sua religião: ética e estética. Não aconselhado a espetadores que sofrem de epilepsia romântica.]



    [espetáculo]
    [workshop]




    Direção de Projeto/Encenação
    Rogério Nuno Costa
    Intérpretes/Co-Criadores
    André Santos, David Bernardes, Diana Coelho
    Marta Coelho, Roger Madureira, Tânia Figueiras Ribeiro

    Styling/Produção de Moda
    Tiago Loureiro

    Fotografia/Design
    António Palma
    Música Hipster
    Peter Shuy

    Consultoria Filosófico-Apocalíptica

    Nuno Miguel

    Fanzine

    Roger & Roger, Inc.

    Co-Produção
    O Espaço do Tempo

    Produção Executiva
    Raquel Matos


    “Residência (Artística)” é o primeiro evento inserido no ‘Ano Zero’ do macro-projeto “Universidade”. Mais informações das atividades programadas para 2012 aqui.

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    #01.



    2012 instaura uma nova mudança de paradigma: o Rogério vai-a-tua-casa pertence agora ao regime antigo, que é como quem diz, só será possível visualizar via micro-chip nos locais e datas assinalados. Ao invés, 2012 será da Terceira Via™, cujo estágio inaugural de 3 anos, não remunerado, acabou agora mesmo de expirar, e com ele a era do “talvez” (cujo estágio inaugural de 2 mil anos, sobre-remunerado, deverá implodir lá para Dezembro). No entretanto, o Rogério nem-vai-nem-deixa-de-ir — fica onde está que está muito bem: pós-Dogma, pós-dualidade, pós-documentalidade, pós-processo, pós-projecto, pós-meta-qualquer-coisa, pós-questionamento. No regime novo, a política é a do real (não confundir com Real), ou seja, porque já todas as esferas se elevaram à categoria de Arte (da gastronomia à música pop), o Rogério que nem-vai-nem-deixa-de-ir só quer é ficar. A ver.